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São Paulo, Brasil

O seu uniforme do poder

First things first, {{ firstname }} - estamos de casa nova com a news por motivos de "o mailchimp azedou o rolê". Esse é o primeiro teste, mês que vem conto mais sobre isso. Boa leitura e me diga que tal chegou o email pra você :-)

Eu sempre fui muito resistente à ideia de ter que me vestir melhor para impressionar alguém, {{ firstname }} . Camisas sociais perfeitas, ternos de grandes nomes, gravatas (não as entendo, odeio usar, mas adoro gravatas bonitas), relógios, óculos (no plural). Tudo isso me parecia demasiado exagerado, algo sem sentido ou necessidade já que o real valor de uma pessoa, de um funcionário, está no seu conteúdo ou na qualidade do seu trabalho.


Nos últimos meses eu tenho mergulhado um pouco mais nesse mundo, questionado a mim e ao meu entorno. “Esse não pode ser um mundo de 8 ou 80”, penso eu. É preciso ter um meio termo.


Em tempos de empreendedores que são, literalmente, a cara de suas empresas - e a relevância disso pro mercado de VCs; onde empresários chegam a ver 30% de seus negócios gerados por meio de interações em redes sociais, e com mandatos de retorno aos escritórios cada vez mais frequentes e mais intensos, vestir-se para o trabalho passou a demandar novas reflexões, justamente para o novo mundo em que vivemos.


Uma matéria recente da Business Insider entrevistou alguns especialistas para discutir essa adequação da vestimenta no mercado de trabalho, em um mundo pós-pandemia, com Gen Z indo pro escritório pela primeira vez.


Um termo que achei interessante, e que conecta com essa reflexão que venho fazendo para a minha própria adequação, é de que estamos passando por uma recalibração, e não um retorno ao que era antes.


Precisamos desaprender o que a gente tinha como base, e aprender como está o contexto, agora. 

É sim uma ferramenta estratégica

Com o tempo, tem ficado cada vez mais claro como aparência é sim uma ferramenta estratégica, demonstra poder e é um gatilho de comportamentos que a gente nem imagina.


Isso fica mais claro em grandes contrastes, como tentar entrar em um restaurante mega chique, de havaianas e camiseta regata, por exemplo. Agora, em ambientes onde os extremos são bem menos exacerbados, como nos escritórios, a diferença é mais sutil. Entretanto, apesar dessa sutileza, seu impacto é tão profundo quanto ser ou não barrado em um restaurante.


E a ciência sustenta isso. Em 2012, pesquisadores da Kellogg School of Management (Northwestern University) cunharam o termo enclothed cognition (“cognição vestida”) para descrever como a roupa que vestimos altera nossos processos psicológicos. No experimento, participantes que vestiram um jaleco identificado como de médico tiveram desempenho cognitivo significativamente superior em testes de atenção do que aqueles que vestiram o mesmo jaleco identificado como de pintor, ou que apenas olharam para ele. Ou seja: não é só como os outros te veem, é como a gente performa quando se veste de determinada forma.

No mundo real

Mark Zuckerberg é um dos meus exemplos favoritos por diversos motivos: gerou um dos maiores contrastes entre o moleque de moletom e o executivo descolado de hoje em dia (que luta MMA e usa roupas e acessórios pensados à perfeição). Cheguei inclusive a participar de algumas conversas paralelas que pensavam justamente se a empresa deveria propor essa mudança de comportamento para ele. Por isso ele é objeto de estudo de caso constante nas minhas aulas no MBA da Link School.


Outro caso interessante, e em um uso ainda mais estratégico, é o de João Adibe, da Cimed. Já reparou que nas redes sociais, sempre que ele está no contexto corporativo, ele está vestido de amarelo, polo da Cimed, mas com uma calça de marca, ou um tênis sob medida? E que quando ele está “de folga”, aí sim ele coloca todo o potencial do dinheiro para seu uso, com roupas de marca da coleção mais recente?


É, pra mim, um dos contrastes mais interessantes e estratégicos para se aproximar e manter seu público interno engajado: estamos com a mesma cor de camisa, eventualmente com a polo do mesmo fornecedor, mas eu tenho uma ou duas peças que me diferencia dos demais.


Nesta situação sua roupa precisa conectar com o público interno, prioritariamente.


Mas quando vai pro mundo externo, onde o contexto são outros executivos, personalidades, uma bolha muito diferente, ele transita e navega rapidamente para o contexto do mundo externo.

1ª viagem a trabalho

A moda sempre foi um tema cotidiano na minha vida. Lilian Pacce, uma das mais respeitadas jornalistas de moda do país, é minha tia. Já fui em muito SPFW, trabalhei diretamente com ela, onde conheci diversos estilistas nacionais, já passei vergonha pela minha simples inabilidade em conseguir combinar peças básicas na juventude, e também pude pedir ajuda na primeira viagem corporativa que fiz, no meu primeiro estágio, em 2005.


Essa situação da primeira viagem corporativa me marcou bastante. A Unisys, empresa em que estagiava, estava organizando um evento para clientes em Comandatuba (2005, gente!). Era a primeira vez que eu faria uma viagem corporativa na minha vida, que seria na “praia”, com altas doses de ar-condicionado intenso.


Eu estava completamente perdido.


Tia Lili foi ao resgate!


Abrimos o guarda-roupas, olhamos meia dúzia de peças que combinavam entre si — tudo mais puxado pro corporativo do que pra praia — e assim tive minha primeira lição prática de i) como organizar uma mala versátil sem levar 92852 peças de roupa, ii) como planejar antes de embarcar e iii) como ponderar a imagem que vou transmitir em um evento assim.


O objetivo não era impressionar ninguém, mas simplesmente passar “despercebido” quando o quesito fosse a roupa.


Nos anos seguintes, fui trabalhar em agência de comunicação, em banco e em empresa de relações governamentais - todas exigiam ou um traje social ou terno e gravata - salário de estagiário nem dava pra isso. 


Quando passei pro mundo das techs (na Uber, na Meta e depois ao iFood), a vida ficou mais simples no sentido de que o “uniforme” dessas empresas é a boa e velha calça jeans, camiseta e tênis. Quando muito um sapatênis.


Sim, eu sei que pra mulheres a vida é diferente, mas mesmo assim, o nível de exigência é diferente.


De toda forma, eu admirava pessoas que conseguiam equilibrar bem autenticidade com elegância e seguia torcendo o nariz para aquelas que exageravam no lookinho - o que só reforçava, pra mim, porque deveríamos continuar a usar calça jeans e camiseta. 

Precisa ser adequado ao contexto

Se vestir-se bem é sim uma demonstração de poder, a parte boa, é que esse impacto não é causado apenas ao vestirmos marcas famosas.


No episódio “Vestir-se para o trabalho: autenticidade ou teatro, com Lilian Pacce”, do Entrelinhas S/A, a Lilian abordou em detalhes esse item: ter peças coringa, de bom corte e boa qualidade, mas que não precisam ser da Prada. Como buscar essa composição de um guarda-roupas que seja confortável, que evidencie a sua autenticidade mas que contraste de forma harmônica com o ambiente em que você circula. Tudo, no precinho! (e sim, eu estou revendo meu guarda-roupas desde então).


Roupa sempre foi algo que nos dá acesso a ambientes e grupos, mas hoje torna-se uma ferramenta importante para gerar conexão e empatia rápida em cada contexto em que estamos inseridos.


Vestir-se bem projeta muito mais do que bom gosto. Vestir-se desata nós para poder pertencer a grupos seletos, ser convidado para ambientes exclusivos (dentro e fora da empresa), projeta competência e relevância — e em um mundo competitivo e com um mercado de trabalho bem doido, isso pode ser um diferenciador.


Equilibrar conforto, autenticidade e elegância, com uma pitada de demonstração de poder é algo que cada vez mais pessoas vêm fazendo uma vez que perdem o sobrenome corporativo e passam a depender tão somente de si para encontrar trabalho e gerar receita.


A parte boa é que isso está mais acessível para cada vez mais pessoas. Você tem pensado em como vai se apresentar hoje, {{ firstname }} ?

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Pedro Prochno
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